100 ANOS DA PARÓQUIA DE SÃO SEBASTIÃO - MANAUS-AM

No dia 15 de setembro de 2001, na Igreja de São Sebastião houve a Celebração Eucarística com a qual deu-se início à celebração dos 100 anos de atividade pastoral e espiritual da Paróquia de São Sebastião.
A Celebração foi presidida por Frei Tomás Ottaviani, missionário italiano, que foi pároco por muitos anos desta paróquia. Concelebraram: Frei Paolo Maria Braghini, Ministro Vice-Provincial, Frei Assílvio Pesoa Sabino, Conselheiro, Frei Sebastião Fernandes Filho, atual Pároco, os Frades da Fraternidade e Frades Capuchinhos de outras Províncias, che se encontravam em Manaus para um encontro de formadores.
A liturgia foi animada pelo coral da paróquia, dirigido por Frei Fulgêncio Monacelli, que também foi Pároco desta paróquia.
O povo participou numeroso e com devoção.
A seguir a homilia de Frei Tomás Ottaviani, proclamada durante a celebração.
Homilia de Frei Tomás Otaviani

Cinqüenta anos atrás, precisamente no mês de Setembro de 1962, tive a felicidade de participar aos festejos do Cinqüentenário da Paróquia de São Sebastião em Manaus.
Nunca teria imaginado que hoje, 15 de Setembro do ano 2011, estaria novamente presente neste mesmo lugar para participar à abertura oficial do Centenário de existência desta Comunidade Paroquial. De minha parte agradeço de coração a Divina Bondade por ter me concedido esta graça.
Se as paredes deste Templo pudessem falar, contariam as numerosas graças que Deus tem operado ao longo dos cem anos que se passaram, não só a esta Comunidade Paroquial, mas também, a toda Arquidiocese de Manaus. Muitos receberam o Sacramento do Batismo, outros se uniram pelo sagrado laço do Matrimonio, e muitos obtiveram perdão de Deus por meio do Sacramento da Reconciliação.
Felizmente este apostolado continua produzindo seus frutos benéficos tanto é verdade que a Igreja de São Sebastião, além de Paróquia, tornou-se o “Santuário” da cidade de Manaus, freqüentado diariamente por numerosos fieis.
A realidade de uma Europa que parece ter esquecendo suas raízes cristãs preocupa sobremaneira o magistério da Igreja e também os que a amam de verdade; mas a vossa participação ativa à vida da Igreja, faz com que aumente sempre mais a esperança que povos mais jovens, como o Brasileiro, com seu entusiasmo guiado pelo Espírito Santo, consigam acordar aos que vivem nas “trevas e sombras da morte”.
A respeito disso, não posso esquecer as palavras que um jovem Sacerdote Brasileiro Capuchinho pronunciava na Itália no dia de sua Ordenação Sacerdotal. Em primeiro lugar agradeceu a Deus pelo dom da vocação à vida religiosa e sacerdotal, estendendo assim os agradecimentos a todos os que o tinham ajudado na realização do seu ideal, e concluía com palavras que naquela circunstância, a meu ver, não foram levadas muito a sério pelos ouvintes, mais tarde se tornaram realidade:
Agradeço os coirmãos da Província dos Frades Capuchinhos de Assis, por tudo o que fizeram em benefício do meu povo. Quem sabe um dia também nós brasileiros, tenhamos a oportunidade de manifestar a nossa fraternal colaboração a Igreja da Itália, enviando novos operários na vinha do Senhor?
Palavras proféticas estas que se tornaram realidade, hoje, de fato, são numerosos sacerdotes, religiosos e religiosas da America Latina, colaborando na Itália e Europa.
Nesta circunstância tão importante é nosso dever de gratidão lembrarmos os Frades Capuchinhos que a ela mais se dedicaram por seu apostolado. Todos mereceriam ser recordados, mas alguns deles deixaram sinais marcantes. Entre todos ocupa um lugar de destaque Frei José de Leonissa.
Foi o primeiro Pároco de São Sebastião. Os mais jovens com certeza não o conheceram, mas eu tive o prazer de conviver com ele nos primeiros anos de minha vida missionária, aqui em Manaus; posso afirmar que Frei José, tem sido um verdadeiro apóstolo de Cristo, votado sem reserva ao serviço dos outros, apesar da saúde precária. Deve-se à sua iniciativa a construção da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré em Adrianópolis, do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, na Praça XIV, à construção do qual colaborou generosamente a Colônia Portuguesa daquele tempo. Também a Capela dedicada a São José, no bairro de Flores, surgiu por iniciativa do incansável Capuchinho. Não pode ser esquecida a construção da “Casa Divina Providencia” onde funcionaram por vários anos os Cursos de Corte e costura, Datilografia, Arte culinária, e outras atividades de promoção religiosa, cultural e social.
Como esquecer Frei Domingos Anderlini, um dos primeiros Missionários chegado no ano 1911? Durante os últimos anos de sua vida o homem de Deus, transcorria grande parte do dia na Igreja rezando e acolhendo com o sorriso todos os que o procuravam. Era chamado o “Santinho” e numerosos fieis atribuem às suas preces ter conseguido favores do Céu.
Poucos serão com certeza os que não conheceram Frei Miguel Ângelo Pigotti e Frei Mario Monacelli.
O primeiro durante vários anos foi pastor zeloso desta Paróquia; as pessoas que tiveram a felicidade de conhecê-lo, o recordam não só pela sua barba fluente, a sua figura hierática, mas, sobretudo pela sua delicadeza e disponibilidade no atendimento às pessoas, particularmente aos doentes que freqüentemente visitava nos Hospitais e também em suas próprias casas. O chamavam o “Frei dos Doentes”. Temos o dever de salientar que deste ilustre irmão capuchinho, está em andamento o processo de Beatificação; espera-se, se esta for a Divina vontade, que em breve sejam reconhecidas da Igreja suas virtudes.
Frei Mario Monacelli recentemente nos deixou, e certamente a sua lembrança permanece ainda viva entre os que tiveram a felicidade de conhecê-lo. Ainda hoje, várias atividades que continuam sendo realizadas na Paróquia de São Sebastião, surgiram por iniciativa do Frei Mario, além das Capelas e escolas que surgiram em alguns Bairros de Manaus.
Acometido por uma doença que não perdoa, faleceu na Itália, a 30 de Junho do ano 2009, dia em que se preparava para celebrar a Santa Missa em comemoração a sua Ordenação Sacerdotal. As últimas palavras por ele proferidas entre agudíssimas dores foram: Esta é a mais linda Missa de minha vida.
Acredito estar interpretando o desejo dos confrades desta Província Capuchinha e particularmente do Pároco Frei Sebastião, se após termos recordado os Frades que mormente se distinguiram nas atividades pastorais desta Paróquia, estendemos por dever de gratidão, os nossos agradecimentos a todos os Paroquianos que no passado colaborarão com dedicação e espírito de Fé, em beneficio desta Comunidade Paroquial. Enumerá-los seria difícil tarefa, mas recordá-los é dever especialmente em nossas Preces.
Aos paroquianos atualmente engajados na vida paroquial, o augúrio que, iluminado pelo Divino Espírito, continuem animados na caminhada ao encontro do Cristo, apesar das dificuldades que encontrarão ao longo da estrada.
A vós todos, irmãos e irmãs, que estais participando a esta Eucaristia os mais sinceros votos que a presença de Cristo entre nós nos ajude a crescer na Fé, sem nunca nos envergonharmos de ser seguidores do Filho de Deus, que por amor, nos tornou filhos do seu mesmo Pai.



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